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terça-feira, 18 de agosto de 2009

CULT - Você já criticou o casamento gay. Por quê?

Camille Paglia - Por vinte anos, eu tenho clamado pela substituição de todo casamento, homossexual ou heterossexual, pela união civil. O Estado, que governa os direitos de propriedade, deve ser estritamente separado da religião e não deve jamais sancionar sacramentos religiosos. Pessoas que querem a benção de uma igreja devem se sentir livres para ter uma segunda cerimônia na igreja que escolherem.

Eu acredito que os ativistas gays dos Estados Unidos cometeram um sério erro estratégico ao reivindicar o casamento, porque a palavra "casamento" é muito associada à tradição religiosa e gera uma revolta entre os conservadores. Ao contrário, os ativistas deveriam se concentrar nos benefícios específicos injustamente negados às uniões gays. Por exemplo, nos EUA, se um gay morre, seu parceiro não recebe os benefícios do Seguro Social, que no caso das uniões heterossexuais vai automaticamente para o parceiro. Isso é uma afronta! Mas este ponto tem sido deixado de lado pelos ativistas gays por conta do seu entusiasmo pela quimera reacionária do "casamento". Uma visão de esquerda autêntica (como nos anos 1960) iria desafiar todo o conceito do casamento.

CULT - Como você avalia a possibilidade de um relacionamento amoroso de longa duração entre duas mulheres?

Camille - Para ser franca, sou pessimista quanto a eles do ponto de vista erótico. As lésbicas formam laços de lealdade muito profundos - compromissos vitalícios que têm sido observados desde o famoso caso das "senhoritas de Llangollen", que aconteceu há dois séculos no País de Gales. Mas sou cética sobre quanto "fervor" sexual ainda pode existir entre duas mulheres depois de 10 ou 20 anos.

Existem, entre escritores gays, casos muito famosos de casais de homens que ficaram juntos por toda a vida - W.H. Auden, Allen Ginsberg, Gore Vidal. Mas eles jamais exigiram de seus parceiros a exclusividade sexual. Ambos os amantes tinham divertidas aventuras alhures com jovens atraentes. Isso não parece possível com as lésbicas. A aventura externa acaba representando uma traição do laço emocional. Eu mesma fui, de modo entediante, monogâmica em minha conduta. Olhando em retrospecto (dado o número de assédios que recebi tanto de homens quanto de mulheres nos últimos 20 anos), acho que foi um erro!

CULT - Vocês duas têm um filho. Qual é a sua opinião sobre a adoção e a criação de crianças por casais gays?

Camille - Meu filho, que adotei legalmente depois que nasceu, sete anos atrás, é o filho biológico de Alison e está sendo criado por nós duas de modo amigável. Usamos uma clínica de fertilidade da Filadélfia e um banco de esperma da Califórnia para escolher um doador anônimo. Tivemos a sorte de a adoção gay ser permitida no estado da Pensilvânia - o que não ocorre em algumas partes dos EUA. Não gosto da ideia de "duas mamães" ou de "dois papais" para os filhos de casais gays. Acho que isso pesa muito sobre a criança na forma de aborrecimentos desnecessários durante a adolescência.

Meu filho tem apenas uma mãe - Alison - e é por isso que ele tem o sobrenome dela. Não gosto dos nomes longos nem das combinações hifenizadas construídas por muitos pais gays. Essas são estratégias desenvolvidas para proteger o amor-próprio de adultos e não para o bem da criança. De forma geral, a criação de uma criança por um casal gay é um enorme experimento social tornado possível por um clima liberal na cultura ocidental. Tenho muita esperança de que os resultados gerais serão positivos - mas a essa altura ninguém pode ter certeza.

Um comentário:

  1. ate que em fim um pouco de informação nesse blog.cultura e leitura faz bem a todos.
    parabens essa postagem e show.beijos

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